

Leitura de um excerto da obra Ulisses de Maria Alberta MenƩres.
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Listen to Ulisses - Ilha de Circe by FE MP3 song. Ulisses - Ilha de Circe song from FE is available on Audio.com. The duration of song is 06:34. This high-quality MP3 track has 610.048 kbps bitrate and was uploaded on 4 Mar 2024. Stream and download Ulisses - Ilha de Circe by FE for free on Audio.com ā your ultimate destination for MP3 music.










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A few days later, they arrived at Nova Island. Ulisse stayed on the ship while the sailors explored the land. After a few days, a sailor named EurĆloco returned with alarming news. He told Ulisse that they encountered fierce animals who led them to a palace where a beautiful woman, possibly a goddess or sorceress, invited them in. They ate and drank, but then the woman gave them a drink that made them forget everything and turned them into pigs. Ulisse was determined to save his companions and encountered Minerva, who gave him an herb of protection. Ulisse confronted Circe, the sorceress, and managed to resist her spells. Circe agreed to turn his companions back into humans, but advised them to avoid the dangerous singing of the Sirens. They set sail again, grateful and hopeful. HĆ” alguns dias depois, avistaram Nova Ilha e a ela aportaram. Ulisse estava tĆ£o cansado e desiludido que resolveu ficar no navio, enquanto os marinheiros se andaram uma volta por terra. Passaram dois, trĆŖs dias, quatro dias, e jĆ” Ulisse comeƧava a ficar inquieto, sem saber o que teria acontecido aos amigos, quando, de repente, veio chegar um marinheiro chamado EurĆloco, homem mais prudente que os companheiros. Vinha correndo, correndo, com certo ar de alarme. ā O que hĆ”, amigo? perguntou-lhe Ulisses. ā Ai, Ulisse, Ulisses, grande desgraƧa! Mas o que foi? Conta-te, pressa! Eu conto-te, ouve-me bem. EurĆloco contou, entĆ£o, que ao saĆrem dali, comeƧaram a encontrar muitos animais ferozesāleƵes, tigres, leopardosāque, em vez de mostrarem bravura, se aproximaram deles e os olharam com um ar triste e suave, e atĆ© os acompanharam ao longo do caminho. Todos tinham estranhado. A certa altura, avistaram uma espĆ©cie de palĆ”cio no meio da floresta, e junto Ć porta, de pĆ©, uma lindĆssima mulher, ou deusa, ou feiticeira, sorrindo. Todos tinham parado estaciados. Esta lindĆssima mulher os tinha convidados a entrar no seu palĆ”cio, onde logo viram grandes mesas cobertas de melhores iguarias que podiam sonhar. E eles marinheiros, pouco habituados a comidas tĆ£o suculentas e a doces tĆ£o finos, logo se tinham sentado, e sob os olhares aprovadores da deusa tinham comido e bebido alegremente. E ele, EurĆloco, tambĆ©m. Mas a certa altura, jĆ” no fim do banquete, a deusa apareceu com uma garrafa de licor na mĆ£o. Nesse momento, EurĆloco, que agora contava isto a Ulisses, teve um pressentimento que nĆ£o conseguiu explicar e escondeu-se. ā O que viu eu? A deusa serviu aquele licor aos marinheiros, e no mesmo instante em que eles o beberam, logo esqueceram seu nome, quem eram, sua pĆ”tria, sua famĆlia. ā EntĆ£o, disse Ulisses, ficaram iguais aos animais. ā Pois foi isso mesmo, respondeu EurĆloco. A deusa tocou neles com madarinha e eles transformaram-se todos em porcos. ā Em porcos! gritou Ulisses. Em porcos, os melhores marinheiros da GrĆ©cia! Os meus queridos companheiros! Isto Ć© uma afronta que tem que ser vingada. Vou jĆ” imediatamente salvar os meus companheiros de tantas desventuras e aventuras. NĆ£o pensando que Ć© um encontro do perigo, nĆ£o pensando que o mesmo poderia acontecer a ele, Ulisses correu pela floresta sem atender Ć s sĆŗplicas e avisos de EurĆloco. De repente, mesmo na sua frente, apareceu uma mulher fulgurante, que lhe disse. ā Onde vais, Ulisses? Ele parou e reconheceu-a. Era Minerva, a deusa que nos momentos de perigo lhe aparecia sempre, aquela que, entre todos os deuses que moravam no Olimpo, o reino acima das nuvens, e em que os gregos acreditavam, era a sua especial protetora. Ulisses virou-se para ela indignado. ā E dizes tu, Minerva, que Ć©s a minha protetora? Como pudeste permitir-me que acontecesse uma desgraƧa destas? ā Calma-te, Ulisses. Sabes quem que perdoou esta enorme partida? Foi Circe, a feiticeira de grande poder. ā Ah, Ć© entĆ£o Circe que se atravessa no meu caminho? Pois mesmo com o seu grande poder nĆ£o conseguirĆ” vencer. Me fui imediatamente falar com ela. ā Veremos. Ulisses estava desvairado. Quando Minerva viu que nada conseguiria demovĆŖ-lo do seu intento, que ele estava realmente disposto a tentar salvar os companheiros, correndo tambĆ©m o risco de cair vĆtima de tĆ£o poderosa e temĆvel feiticeira, inclinou-se, arrancou do chĆ£o uma erva e disse-lhe, ā Toma, Ulisses, leve esta erva da vida. Ela te livrarĆ” da mĆ” sorte. Ulisses agradeceu e colocou-a para a floresta. Visto entĆ£o o grande palĆ”cio, ela estava, Circe, Ć porta sorrindo. Quando ela o viu, logo se apaixonou por ele. Mas como ele era um simples mortal, estava disposta, embora com pena, a transformĆ”-lo tambĆ©m num animal. Convidou-o a comer e o herói assim fez. Quando ela, no fim da refeição, foi buscar o licor e lhe o deu a beber, Ulisses bebeu-o de um só trago. E como, graƧas Ć erva da vida, nĆ£o se esqueceu nem do seu próprio nome, nem da sua pĆ”tria, nem da sua famĆlia, quando Circe lhe tocou com a varinha, ele nĆ£o se transformou em animal nenhum. Circe caiu dos joelhos assombrada. ā Quem Ć©s tu que assim resiste Ć s meus feitiƧos? ā Ćs um deus. ā Ćs um homem. ā Um deus nĆ£o Ć©s. ā E se Ć©s homem, só podes ser Ulisses, o das melas doces. ā Eu sou mesmo Ulisses. E queres aqui os meus companheiros queridos que transformaste em porcos? ā Em porcos? ā Eu! mentiu Ulisses. Anda-te-me, continua. VĆŖ-se, entĆ£o, que conheces os teus companheiros. Foi Ulisses pela mĆ£o atĆ© Ć s possĆveis, onde vĆ”rios porcos comiam-se o fregamento, atropelando-se nas ramelas. Ulisses, desesperado, olhou Ć queles animais e, com raiva de nĆ£o conseguir descobrir neles os seus companheiros, deu um pontapĆ© a um que se afastou brilhando. ā Deus, Ulisses, nĆ£o sĆ£o teus companheiros. ā Por que nĆ£o ficas aqui e nĆ£o casas comigo? perguntou-lhe. ā Aqui e nĆ£o quero ficar, disse-lhe tristemente. NĆ£o posso casar contigo, pois tenho minha mulher Penelope esperando por mim, longe, em Itacaque. Circe, no entanto, nĆ£o o deixou partir. Passaram-se tempos e um dia Circe disse-lhe, vejo-te triste, pensando sempre no mar e na tua famĆlia. ā Vou deixar de partir. ā Vou restituir-te os teus marinhƵes, que sĆ£o realmente aqueles porcos que tu viste nas minhas possĆveis um dia. ā Ainda outros. Todos os animais da minha floresta que sĆ£o outros tantos marinheiros que encantei com o meu poder. Sou tua amiga, gostinho, e nĆ£o posso continuar a ver a tua tristeza. Sei, pois, o teu caminho para Itacaque. Só te peƧo uma coisa, dirige-te primeiro Ć ilha dos infernos e fala com o prefeito de TirĆ©sias. Ele sabe tudo o que se estĆ” a passar na tua terra. Olha que graves coisas se estĆ£o passando por lĆ”. Prometes? Ulisses prometeu logo. Os marinheiros voltaram Ć forma de homens. Legramente, consertaram o navio, despediram-se de Circe e fizeram-se ao mar. Circe ainda lhes deu um outro conselho. Quando chegassem ao princĆpio do mar das freiras, viam parar de remar, tapar muito bem os ouvidos com cera, que nĆ£o se esquecessem de fazer rigorosamente, senĆ£o ninguĆ©m os poderia salvar do canto e do encanto das freiras. Elas chegam a combater os marinheiros para o fundo do mar, e nunca ninguĆ©m lhes conseguira resistir. Todos prometeram sanamente cumprir o que ela lhes recomendava, e levam-lhes novamente entre onda e onda em azul e verde, de contente coração.
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